Resultado das urnas antecipa disputa pela presidência do Senado e cinco nomes já aparecem no páreo
12/10/2022 08:54 em Genérica

Antes mesmo de o país conhecer o próximo inquilino do Palácio da Alvorada e o Congresso receber os representantes da nova legislatura, senadores já ensaiam os movimentos para se cacifar à disputa pela presidência da Casa, que ocorrerá em fevereiro de 2023. O atual ocupante da cadeira, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), os senadores recém-eleitos Damares Alves (Republicanos-DF), Tereza Cristina (PP-MS) e Renan Filho (MDB-AL) surgem como os primeiros nomes que podem se lançar na corrida, assim como o ex-titular do posto Davi Alcolumbre (União-AP).

A eleição do novo presidente da República, porém, é determinante para o desfecho dessa batalha, visto que o candidato apoiado pelo Palácio do Planalto costuma entrar no páreo tão ou mais competitivo do que os seus adversários. Na maioria das vezes, o governo joga pesado na articulação em favor do seu nome preferido, já que a presidência do Senado é estratégica para o Executivo aprovar as propostas que envia ao Parlamento.

O resultado das urnas mudou o perfil da Casa, que será mais conservadora a partir do ano que vem, e precipitou as movimentações. O PL, partido do presidente Jair Bolsonaro, terá a maior bancada, com 15 integrantes, o que o coloca como favorita para eleger o próximo presidente do Senado. Essa possibilidade ganha força caso o atual titular do Planalto seja reeleito, mas perde numa eventual vitória do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Rodrigo Pacheco trabalha desde o ano passado, ainda que discretamente, para permanecer por mais dois anos no cargo, tempo que dura o mandato. Para isso, ele se manteve neutro nas eleições deste ano e resistiu à pressão de aliados tanto de Lula quanto de Bolsonaro, que acenavam com promessa de apoio à sua reeleição. Embora tenha chegado ao comando da Casa como o candidato do Planalto, o senador mineiro se distanciou e protagonizou embates com o governo. Os desgastes, apesar de terem esgarçado, não puseram fim à relação.

A tendência é que seu caminho seja menos conflagrado em caso de vitória de Lula. Se Bolsonaro continuar no comando do Executivo, dificilmente o PL não fará o próximo presidente do Senado. De toda forma, pelo menos até agora, Pacheco conseguiu o que planejou e não explodiu pontes com a esquerda nem com os bolsonaristas, que ainda o veem como uma alternativa para o biênio 2023-2025.

— Ainda que seja normal o PL reivindicar a presidência da Casa, é possível o caminho com o próprio Pacheco. Ele foi eleito com apoio da oposição e dos governistas, e é natural que o perfil do presidente do Senado seja de alguém que tenha uma boa articulação com todos os partidos, inclusive da oposição — admite líder do governo no Senado, Carlos Portinho (PL).

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